quarta-feira, 6 de agosto de 2014

cinzento.

Solto gritos mudos na esperança que o que está mal dentro de mim se desfaça em cacos sem que ninguém me oiça.
Está sol lá fora e o mundo vive sem mim. Cá dentro chove, hoje vivo sozinha por opção e não quero que ninguém me resgate deste quarto escuro onde vejo todas as horas a mudar sem iniciar ou encerrar qualquer objetivo no seu passar.
Neste quarto não há espaço para sonhos nem para sorrisos, nem há espaço para mais ninguém para além de mim. Hoje há tempo. E como eu gostava que não houvesse tempo para.
Hoje há tempo e um imenso mar salgado à minha volta onde mergulho e onde me aleijo nas pedras que ele contém.
Afasto-me do mundo negando o facto de fazer parte dele, hoje não há ninguém que me apeteça. Hoje seria a altura perfeita para o mundo me cair em cima, mas eu não deixo.
Hoje prefiro que a chuva abata este quarto. Talvez amanhã e depois faça o mesmo. E mesmo que seja assim, espero melhorar no teu regressar.