domingo, 20 de julho de 2014

falta.

Viver é a maior dádiva que tenho, juntamente com ela, a Vida ainda me contempla com a sua incalculável beleza.
Na imensidão de Vida e de Mundo em que me encontro, estou grata por cada pedaço de sorte que o Universo me oferece. Talvez ele um dia mo roube para o oferecer a outro alguém tão ou mais merecedor de tal oblação, mas hoje, estou profundamente grata por cada partícula de ventura que me cai nas mãos.
Contudo, e apesar da consciência de todas as fortunas que tenho, esta semana mesmo sentindo que tive tudo o céu esteve coberto de falta.
Talvez o Ser Humano seja um ser demasiado incompleto e até humanamente ignorante para se sentir perfeitamente realizado com tudo aquilo que o Universo lhe dispõe num determinado período de tempo.
Mas a verdade, é que o tudo que tive não foi proporcional ao tudo que me faltou. Talvez porque o brilho esteja em nós, e ali tenha estado só eu. 
Hoje sei que o dia mais bonito não tem brilho se não o puder partilhar contigo. 
Hoje sei que há faltas insubstituíveis. Percebi que existe um peso tão grande como a saudade, o da realidade. É que na realidade, percebi que afinal já não há dias perfeitamente lindos, que o brilho já não é naturalmente esplêndido e que o céu já não é admiravelmente estrelado se a tua presença me faltar.
É revoltante viver um dos lados mais belos da Vida e não me sentir profundamente satisfeita. Talvez o pleno esteja em ti. Talvez eu só me sinta saciada com a Vida se o lugar ao meu lado estiver sempre ocupado por ti.
Se isto se demonstrar uma certeza, continuo sem saber se o lado bom de tudo isto consegue cobrir, de todo, o negativo que isto tem.
Não é que eu queira que a Vida seja demasiado em relação a ti, eu acho é que TU és muito grande nesta Vida, na minha. E se isto for uma certeza, só tu me conseguirás satisfazer plenamente. Tudo o que seja feito sem ti e para além de ti estará coberto de falta.
Espero que tu meu amor, não sintas o mesmo. É que eu amo-te num imenso infinito, e quero, e espero, que consigas sentir-te plenamente satisfeito em tudo aquilo que algum dia fizeres, em tudo o que a Vida te der, mesmo se eu um dia te faltar. E não é que eu pense sequer em algum dia te faltar, mas é que a Vida é o maior poço de surpresas que eu conheço. E eu nunca sei quando é que o Universo me poderá roubar a sorte que hoje me oferece.

sábado, 5 de julho de 2014

o doce sabor dos pormenores.

Talvez para muitos fôssemos só mais dois apaixonados ali no meio daquelas cinco mil pessoas, mas não éramos de certo isso, na íntegra. Para mim não éramos só mais dois, para mim éramos nós, de certo mais dois, mas nunca "só". A palavra "só"  dá um certo sentido de inferioridade, como se nós não fizemos diferença na multidão, como se nós fôssemos uma minoria insignificante, como se a nossa presença fosse indiferente. 
Para mim, ontem podia ter sido "só" mais um concerto para juntar aos incontáveis concertos que eu já vi, mas não foi. Nunca é. Na minha vida eu não digo que hoje, é "só" mais um dia, não. Hoje é o dia perfeito para eu ser tão ou mais feliz que ontem. 
As pessoas que ali estavam a apreciar connosco aquela noite, também não eram "só" mais umas pessoas, não. Aquelas foram as pessoas. É provável que eu nunca mais as veja, é certo que não as conheço, mas ontem, partilhamos o mesmo espaço e juntos criamos o ambiente onde todos estivemos. 
Eu vi sorrisos esboçados em rostos que nunca vi; vi palmas lá em cima de braços que eu nunca conheci; ouvi gritos e o trautear das canções de vozes que eu nunca ouvi.
Se a pessoa que tivesse ao meu lado, à minha frente, ou atrás de mim não fosse, já teria sido diferente. Se lá à frente não houvessem pessoas sentadas nos ombros de outras a esbracejar, a noite teria sido diferente.
Se o homem que eu amo não tivesse estado abraçado a mim o tempo todo, teria sido diferente.
Eu adorei assim. Adorei as pessoas.
Quando lá cheguei não conhecia nenhuma, quando de lá saí continuava sem conhecer nenhuma, mas eu tive o prazer de partilhar com elas uma noite fantástica. Poderá isso ser insignificante a longo prazo, mas ontem uniu-nos. E eu vivo no presente. E não me quero negar ao prazer de saborear as pequenas coisas, os pormenores. Talvez ninguém note nem pense, talvez nem sequer ninguém se lembre, mas a mim faz-me sentir estupidamente feliz.
Não há preço para isso.