sábado, 5 de julho de 2014

o doce sabor dos pormenores.

Talvez para muitos fôssemos só mais dois apaixonados ali no meio daquelas cinco mil pessoas, mas não éramos de certo isso, na íntegra. Para mim não éramos só mais dois, para mim éramos nós, de certo mais dois, mas nunca "só". A palavra "só"  dá um certo sentido de inferioridade, como se nós não fizemos diferença na multidão, como se nós fôssemos uma minoria insignificante, como se a nossa presença fosse indiferente. 
Para mim, ontem podia ter sido "só" mais um concerto para juntar aos incontáveis concertos que eu já vi, mas não foi. Nunca é. Na minha vida eu não digo que hoje, é "só" mais um dia, não. Hoje é o dia perfeito para eu ser tão ou mais feliz que ontem. 
As pessoas que ali estavam a apreciar connosco aquela noite, também não eram "só" mais umas pessoas, não. Aquelas foram as pessoas. É provável que eu nunca mais as veja, é certo que não as conheço, mas ontem, partilhamos o mesmo espaço e juntos criamos o ambiente onde todos estivemos. 
Eu vi sorrisos esboçados em rostos que nunca vi; vi palmas lá em cima de braços que eu nunca conheci; ouvi gritos e o trautear das canções de vozes que eu nunca ouvi.
Se a pessoa que tivesse ao meu lado, à minha frente, ou atrás de mim não fosse, já teria sido diferente. Se lá à frente não houvessem pessoas sentadas nos ombros de outras a esbracejar, a noite teria sido diferente.
Se o homem que eu amo não tivesse estado abraçado a mim o tempo todo, teria sido diferente.
Eu adorei assim. Adorei as pessoas.
Quando lá cheguei não conhecia nenhuma, quando de lá saí continuava sem conhecer nenhuma, mas eu tive o prazer de partilhar com elas uma noite fantástica. Poderá isso ser insignificante a longo prazo, mas ontem uniu-nos. E eu vivo no presente. E não me quero negar ao prazer de saborear as pequenas coisas, os pormenores. Talvez ninguém note nem pense, talvez nem sequer ninguém se lembre, mas a mim faz-me sentir estupidamente feliz.
Não há preço para isso. 

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