sábado, 3 de janeiro de 2015

será que sentes?

No mesmo sítio de sempre. Há mesma hora de sempre. No mesmo dia de sempre.
Apago um cigarro que arde na boca do meu melhor amigo há espera que o fumo não o faça esquecer.
Passámos a vida juntos, pelo menos aquela que faz falta recordar.
Assisto em silêncio à sua e a à minha mudança. Ele conhece o meu silêncio de cor.
Não sei o que custa mais. Engolir um passado que faz o peito doer de saudade, ou aceitar o presente sem perspetiva de por cá ficar. Não os julgo, mas sinto-me na linha da frente a assistir à partida dos meus melhores amigos. Um por um. E isso custa.
Uns vão embarcados em desânimo ou numa nova esperança que uma vida melhor os espera, lá fora.
Outros já foram, e no lugar de saudade deixaram um manto de desilusão que a mim me deixou descalça perante um trilho de cacos de vidro.
Não é a partida deles que me preocupa mais, é a minha permanência aqui. Talvez um bocado egoísta de dizer, mas como não o ser?
Se fico feliz por eles?! Como posso ficar?! Sei que na sua generalidade eles também não querem ir mas.. o meu país obrigou-os a isso. É triste.
No mesmo sítio de sempre. Há mesmo hora de sempre. No mesmo dia de sempre.
Acendo um cigarro que arde na boca do meu melhor amigo há espero que o fumo o faça conter.
Passámos a vida juntos, em tempos ocupamos um banco de seis, e hoje.. hoje só estamos nós.
Os outros já foram.
Sei que vou assistir em silêncio à sua partida também. E isso custa a engolir. Será que sentes?
Eu vou ficar aqui.
No mesmo sítio de sempre.
Sei que estamos ligados para sempre. Eu sei que sentes.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

talvez seja de mim...

Talvez seja de mim, mas por eu dar sempre a melhor parte de mim às pessoas, desiludo-me quando comprovo que nem todos, talvez poucos, são como eu.
O prazer de dar sem receber vem-me no sangue, mas quando me retiram algo, o mérito, o respeito ou a consideração, parece que o mundo me cai nos pés enquanto oiço vozes dizerem-me: "eu bem te tinha avisado". Eu ouvi, mas ajudar os outros é tentação minha, e dizer que não é bravura que eu desconheço em mim.
As pessoas são injustas mas o mundo não o é para mim, pelo menos o meu. Talvez seja incompreensível a minha distância com a sociedade, mas sempre que me insiro nela, ela imediatamente responde-me dizendo: tu sabes o teu lugar, não tentes sair dele.
Mas eu não fui feita para estar nos bastidores. Plantar e colher o fruto para alguém comercializá-lo deixou de ser vida para mim. Já sei plantar e colher, e juro que a partir de agora, vou ser eu a mostrar qualquer produto final, não fosse meu o mérito.
Talvez eu seja um prato onde todos comem, e onde a maioria acaba por cuspir. Mas o prato lascado acabou de partir.
Talvez seja mesmo de mim.. mas eu vou fazer para mudá-lo.

domingo, 26 de outubro de 2014

não se controla a natureza.

A Vida é a maior caixinha de surpresas que eu conheço.
Hoje aprendi talvez uma das maiorias lições da minha vida.
Não se pode tentar controlar a natureza. E eu fi-lo. Tentei controlá-la e manipulá-la e agora aqui estou... num pesadelo. A tentar desfazer tudo aquilo que fiz.
E é assim que alegria do não ter se transforma em mágoa e ânsia.
Eu aprendi a lição. Mas o pesadelo ainda não acabou.
Talvez eu pudesse acabar já com ele, mas nesse acto estaria a fazer precisamente o que me levou até aqui. A controlar a natureza. E eu não quero mais fazê-lo.
Seja o que Deus quiser. E se Deus me o trouxer, eu assumirei a responsabilidade.
Somos servos da natureza meus caros. Pensamos em dar a volta ao mundo para colocar as coisas à nossa maneira. Mas esquecemo-nos que não somos nós que comandamos as coisas... depois a vida troca-nos as voltas e lembramo-nos que há sempre algo a cima de nós para nos dizer: pára! aceita as coisas e adapta-te a elas, porque o comando não está nas tuas mãos.
Lição aprendida. E aqui está a minha capacidade de reverter o pesadelo em algo positivo.
Só nos resta esperar. Mais nada.

sábado, 11 de outubro de 2014

Para Sempre porquê?

Existem biliões de pessoas neste imenso planeta que nos rodeia, centenas de países com culturas diferentes, milhares de cidades com as maiores diversidades, milhões de escolas nas mais diversas sociedades. Havia dezenas de pessoas diferentes naquelas turmas.
Ainda assim, o destino escolheu-nos para embarcarmos juntos, naquela dança.
Não será isso razão suficiente?

Amo-te. Para sempre sim. Para sempre.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

lugar.

É tudo tão igual sem ti. Tão sem cor e sem vida. Como se tudo se passasse aqui mas nada captasse a minha atenção. É desinteressante quando olho para todos os lados e não te encontro em nenhum campo da minha visão. Então eu olho e volto a olhar para ver se no segundo seguinte encontro o teu cabelo castanho claro, o teu contemplador sorriso ou os teus olhos ternos que eu tanto gosto de olhar. E, quando não encontro, o céu volta a estar coberto de falta, eu volto a querer que o tempo passe a correr só para voltar a estar no meu lugar preferido em todo o universo: ao teu lado.
Até pode estar imensa gente à minha volta, eu vou continuar a sentir plenamente a tua falta, e é como se eu nem quisesse ouvir ninguém, porque nada do que alguém diga será tão bom quando és tu a falar.
Ontem estava com a A. a falar dos lugares mais bonitos a que eu gostava de ir. Enumerei os que mais me atraem, mas na minha cabeça pairava o único que me interessa. O único lugar pelo qual eu morreria a tentar alcançar, e a lutar para manter. Talvez os outros lugares do mundo estejam repletos de beleza impossível de imaginar se não presenciar, mas como qualquer outro, todos eles perdem o brilho se tu não estiveres ao meu lado para o contemplar.
Talvez incompreensível para alguns, talvez exigente para outros, mas para mim é simples e claro. Só sei sentir-me plena e completa se olhar para o lado e te encontrar, a ti. E não interessa se à nossa volta houver 100 pessoas desde que tu lá estejas. Essas 100 pessoas ao fim de um tempo vão embora. Mas tu ficas. Só tu ficas.
Um dia o amor foi um lugar estranho sem lugar para mim. Hoje o amor é o único lugar que eu conheço plenamente. E o único que quero manter.
Dizer que te amo é injusto. Não faz jus ao que sinto. E eu juro que se fosse possível transpunha em palavras. Mas não é.
Talvez por vezes a certeza dê lugar à dúvida, em ti. Mas sei que aos poucos tudo isso vai desaparecendo. É que no final de cada etapa vais-me encontrar, ao teu lado, sempre. E essa será sempre o encerrar de todas as dúvidas: a presença.
Eu demorei anos a tentar encontrar o meu lugar no mundo, sentir-me deslocada era uma norma. Conforta-me saber que já descobri.
O meu lugar no mundo, e nesta vida é ao teu lado. Apenas e só. A todos os outros eu não pertenço, a nenhum outro quero pertencer.
Vou continuar a dizer que te amo porque é a palavra que mesmo distante, mais se aproxima ao que sinto. Amo-te meu amor. Sempre.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

cinzento.

Solto gritos mudos na esperança que o que está mal dentro de mim se desfaça em cacos sem que ninguém me oiça.
Está sol lá fora e o mundo vive sem mim. Cá dentro chove, hoje vivo sozinha por opção e não quero que ninguém me resgate deste quarto escuro onde vejo todas as horas a mudar sem iniciar ou encerrar qualquer objetivo no seu passar.
Neste quarto não há espaço para sonhos nem para sorrisos, nem há espaço para mais ninguém para além de mim. Hoje há tempo. E como eu gostava que não houvesse tempo para.
Hoje há tempo e um imenso mar salgado à minha volta onde mergulho e onde me aleijo nas pedras que ele contém.
Afasto-me do mundo negando o facto de fazer parte dele, hoje não há ninguém que me apeteça. Hoje seria a altura perfeita para o mundo me cair em cima, mas eu não deixo.
Hoje prefiro que a chuva abata este quarto. Talvez amanhã e depois faça o mesmo. E mesmo que seja assim, espero melhorar no teu regressar.

domingo, 20 de julho de 2014

falta.

Viver é a maior dádiva que tenho, juntamente com ela, a Vida ainda me contempla com a sua incalculável beleza.
Na imensidão de Vida e de Mundo em que me encontro, estou grata por cada pedaço de sorte que o Universo me oferece. Talvez ele um dia mo roube para o oferecer a outro alguém tão ou mais merecedor de tal oblação, mas hoje, estou profundamente grata por cada partícula de ventura que me cai nas mãos.
Contudo, e apesar da consciência de todas as fortunas que tenho, esta semana mesmo sentindo que tive tudo o céu esteve coberto de falta.
Talvez o Ser Humano seja um ser demasiado incompleto e até humanamente ignorante para se sentir perfeitamente realizado com tudo aquilo que o Universo lhe dispõe num determinado período de tempo.
Mas a verdade, é que o tudo que tive não foi proporcional ao tudo que me faltou. Talvez porque o brilho esteja em nós, e ali tenha estado só eu. 
Hoje sei que o dia mais bonito não tem brilho se não o puder partilhar contigo. 
Hoje sei que há faltas insubstituíveis. Percebi que existe um peso tão grande como a saudade, o da realidade. É que na realidade, percebi que afinal já não há dias perfeitamente lindos, que o brilho já não é naturalmente esplêndido e que o céu já não é admiravelmente estrelado se a tua presença me faltar.
É revoltante viver um dos lados mais belos da Vida e não me sentir profundamente satisfeita. Talvez o pleno esteja em ti. Talvez eu só me sinta saciada com a Vida se o lugar ao meu lado estiver sempre ocupado por ti.
Se isto se demonstrar uma certeza, continuo sem saber se o lado bom de tudo isto consegue cobrir, de todo, o negativo que isto tem.
Não é que eu queira que a Vida seja demasiado em relação a ti, eu acho é que TU és muito grande nesta Vida, na minha. E se isto for uma certeza, só tu me conseguirás satisfazer plenamente. Tudo o que seja feito sem ti e para além de ti estará coberto de falta.
Espero que tu meu amor, não sintas o mesmo. É que eu amo-te num imenso infinito, e quero, e espero, que consigas sentir-te plenamente satisfeito em tudo aquilo que algum dia fizeres, em tudo o que a Vida te der, mesmo se eu um dia te faltar. E não é que eu pense sequer em algum dia te faltar, mas é que a Vida é o maior poço de surpresas que eu conheço. E eu nunca sei quando é que o Universo me poderá roubar a sorte que hoje me oferece.