No mesmo sítio de sempre. Há mesma hora de sempre. No mesmo dia de sempre.
Apago um cigarro que arde na boca do meu melhor amigo há espera que o fumo não o faça esquecer.
Passámos a vida juntos, pelo menos aquela que faz falta recordar.
Assisto em silêncio à sua e a à minha mudança. Ele conhece o meu silêncio de cor.
Não sei o que custa mais. Engolir um passado que faz o peito doer de saudade, ou aceitar o presente sem perspetiva de por cá ficar. Não os julgo, mas sinto-me na linha da frente a assistir à partida dos meus melhores amigos. Um por um. E isso custa.
Uns vão embarcados em desânimo ou numa nova esperança que uma vida melhor os espera, lá fora.
Outros já foram, e no lugar de saudade deixaram um manto de desilusão que a mim me deixou descalça perante um trilho de cacos de vidro.
Não é a partida deles que me preocupa mais, é a minha permanência aqui. Talvez um bocado egoísta de dizer, mas como não o ser?
Se fico feliz por eles?! Como posso ficar?! Sei que na sua generalidade eles também não querem ir mas.. o meu país obrigou-os a isso. É triste.
No mesmo sítio de sempre. Há mesmo hora de sempre. No mesmo dia de sempre.
Acendo um cigarro que arde na boca do meu melhor amigo há espero que o fumo o faça conter.
Passámos a vida juntos, em tempos ocupamos um banco de seis, e hoje.. hoje só estamos nós.
Os outros já foram.
Sei que vou assistir em silêncio à sua partida também. E isso custa a engolir. Será que sentes?
Eu vou ficar aqui.
No mesmo sítio de sempre.
Sei que estamos ligados para sempre. Eu sei que sentes.
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