sábado, 7 de junho de 2014

um segundo.

Há dias que nos atiram para o chão. Dias que nos soqueiam e pontapeiam e nos deixam em sangue. Como se tudo aquilo com que nos preocupamos diariamente perdesse por completo o valor.
Hoje ouvi os sinos tocarem. Senti a dor daqueles que já não poderão voltar a ver alguém com quem partilharam a vida.
Vi a minha avó doente e exausta. Com medo que Deus que a leve, e desespera nessa ânsia.
Vi o meu pai quase a perder os sentidos, vi-me em pânico e em desespero, vi a preocupação no rosto da minha mãe, e ouvi a tristeza na voz do meu irmão, do outro lado da linha.
Hoje a vida voltou a mostrar-me a sua preponderância. A vida voltou a mostrar-me, que planeamos anos da nossa vida, mas em um simples segundo, tudo, mas tudo pode mudar.
Na viagem, entre a casa da minha tia e o hospital tive um flashback de todos estes anos. "E se estes tiverem sido os 18 melhores anos da minha vida?"Questionava-me.
Entre o silêncio fatídico daquele carro, tentava que as lágrimas não me escorressem para não espalhar mais o pânico. "Vai falando connosco, pai." - repetia eu a cada 2 minutos.
Temia que acontecesse o que vezes sem conta sonhei. Temi como nunca.
No descanso que este final nos deu, só consigo chorar. De que vale tudo o resto. De que vale as pessoas quererem ter todo o poder se serão sempre impotentes perante a vida, perante Deus.
No final, só consigo pensar em quem lá não esteve. Desiludida, o suficiente.
Entre o bom e o mau sinto que as dúvidas me assolam novamente. Será quem eu amo capaz de me acompanhar também nos piores momentos que eu ultrapassar?
Tanto peso que estas dúvidas me fazem...
Eu seria capaz de dar todas as voltas ao mundo necessárias. Escalar montanhas e ultrapassar as mais fortes marés. Mas bem sei que a maioria das pessoas é diferente de mim. Espero um dia saber lidar com essa diferença. Mas hoje dói. Hoje doeu.
Graças a Deus ainda tenho o meu pai ao pé de mim. Mas a minha avó continua muito doente, e as pessoas continuam a chorar a morte do senhor da aldeia que hoje nos deixou.
A vida é completamente imprevisível.
Que nó no estômago.

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