domingo, 4 de maio de 2014

a ti te escrevo.

Escrevo-te, para que me lembres, nas horas vagas, quando o vazio preencher o teu quarto e a voz do teu pensamento te silenciar.
Escrevo-te, para que me recordes, em horas vagas, quando a casa estiver cheia e ao mesmo tempo tão vazia de mim, e quando o tempo percorrer os minutos e no final das horas não me encontrares.
Escrevo-te para que guardes, em ti, o cheiro de cada perfume meu, o aroma do meu cabelo, o sabor de cada beijo, a harmonia de cada sorriso, a sensação de cada toque, a melodia de cada palavra e a chave que decifra cada olhar, esse que tão sem voz tanto diz.
Escrevo-te, para que saibas, que o lugar não importa quando divagamos juntos, que o amor é um lugar sem espaço nem tempo, insuficientes e curtos para cabermos lá dentro.
Escrevo-te, para que interiorizes, que neste passeio da vida, tudo o que nos diferencia é igualmente o que nos une e o que nos cobre, aos dois.
Escrevo-te, para te dizer, que na indesejável possibilidade de um dia te sentires nada, mostrar-te-ei o que não vês e o que faz de ti o tanto que és.
Escrevo-te, na esperança de conseguir exprimir um pequeno pedaço daquilo que sinto perante ti, mas na capacidade de compreender o poder do amor, aprendi que nessa tarefa o insucesso é garantido.
Ainda assim te escrevo, e te digo que a minha breve presença no mundo foi um projeto delineado com a tua imagem ao lado, pintado e desenhado para fazer dela uma eterna presença no mundo, um do outro.
E nesse mundo viveremos, para sempre.
Alguém sabe o quanto eu odeio bocados? Metades, intermédios, peças e quases?
Por fim te escrevo, confessando, que és o todo que sempre me faltou. E o tudo que finalmente, tenho.

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