terça-feira, 6 de maio de 2014

felicidade?

O percurso é igual à tanto tempo. Já conheço as vistas e as estações de cor, até já conheço as rotinas de algumas pessoas, tanto que por vezes, se alguns a quebram durante uns dias fico a pensar no que se possa ter passado. Nada em comum a não ser o mesmo comboio e o mesmo destino. 
Hoje, numa habitual paragem estava tudo normal como sempre, mas quando olhei lá para fora vi uma rapariga, jovem, elegante e bonita que tinha a particularidade de não poder ver nada daquilo que nos rodeia. 
Podia ter sido só mais uma pessoa entre as dezenas que passam por mim todos os dias, mas não foi. Esta fez o meu dia.
Ela estava a sorrir, genuinamente. Estava a caminhar sozinha e a sorrir, não para alguém ou algo, simplesmente para a vida.
Passamos metade da vida a pensar no que nos fará mais felizes, passamos metade da vida a dizer que "se tiver isto", "se acabar isto", "se fizer isto", "se ganhar isto" vou ser uma pessoa mais feliz. Passamos metade da vida a planear um futuro feliz, planeamos hoje o nosso futuro daqui a 10 anos e daqui a 10 anos fazemos planos para os próximos 10. Passamos metade da vida a construir um caminho que eventualmente nos levará à felicidade, e nesse hiato entre o plano e a concretização esquecemos-nos de sorrir, de viver, de sermos verdadeiramente felizes.
Perguntei-me como seria a minha vida se eu não pudesse ver as paisagens que me levitam a alma, como seria se eu não pudesse ver o cruzamento entre o céu e o mar, como seria se eu não pudesse ver o sorriso do homem que amo.
Começaram os pensamentos a atropelarem-se-me uns aos outros. Se aquela rapariga pensasse sempre em todos esses se's certamente não estaria a sorrir da forma que estava.
A felicidade é um dos temas que eu mais tenho debatido comigo própria nas últimas semanas, em silêncio penso e mergulho nesses pensamentos. Em casa, sozinha, vejo documentários, leio livros e textos à cerca desse mesmo assunto. Penso, reflicto, oiço, leio, analiso e estudo até chegar à percepção.
Eu passo metade da vida a lamentar-me e a outra metade a ouvir os lamentos dos outros.
Sou feliz com o que tenho mas há acontecimentos que me incomodam, que me roubam a disposição. Depois vou para a escola e oiço os se's dos meus colegas, em casa oiço os se's da minha mãe e as pessoas mais próximas de mim ouvem os meus. 
Houve um dia que me disseram para não me queixar tanto, eu fiz o que faço sempre, primeiro resisti mas depois comecei a pensar.
Se eu passar a vida a planear a altura que serei feliz, a minha vida não vai ter nem metade da emoção que eu pretendia.
Felicidade é um estado de espírito, não é uma ocasião, não é um momento, não é uma situação nem uma pessoa, muito menos um sentimento, felicidade é um estado de espírito que só cada um de nós pode impor a si mesmo.
Eu sempre fui feliz, mas pergunto-me quantas vezes sorri para a vida, só porque sim, como aquela rapariga cega.
Aí apercebo-me que felicidade só está ao alcance dos mais inteligentes. Os outros, ficarão a vida inteira a construir um possível final feliz.

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